O caso do assassinato de Jam Master Jay ganhou um novo capítulo importante. Um dos três acusados pela morte do lendário DJ pretende se declarar culpado, o que pode marcar a primeira vez que alguém admite em tribunal qualquer envolvimento no crime que chocou o hip-hop em 2002.
De acordo com documentos judiciais, Jay Bryant, de 52 anos, negocia um acordo com promotores federais em Nova York. Inicialmente, ele se declarou inocente após o indiciamento em 2023.
No entanto, recentemente, seu advogado e os promotores informaram ao tribunal que estão em negociação. Além disso, um registro judicial indicou que Bryant pretende mudar sua declaração, embora não detalhe quais acusações ele pode admitir nem qual punição pode enfrentar.
Mesmo assim, essa decisão não é definitiva. Isso porque réus podem mudar de ideia até mesmo no momento da audiência. Ainda assim, caso Bryant confirme a mudança, o caso pode avançar e trazer algum nível de desfecho, embora também aumente a complexidade de uma investigação que já se arrasta há anos.
Enquanto isso, os outros dois nomes envolvidos seguem no centro da história. Karl Jordan Jr. e Ronald Washington enfrentaram julgamento e um júri considerou ambos culpados em 2024. Porém, depois disso, um juiz anulou a condenação de Jordan.
Agora, promotores recorrem da decisão e reforçam sua posição em um documento oficial.
Segundo eles, “Essas condenações foram sustentadas pelo depoimento de 38 testemunhas, incluindo testemunhas que viram Jordan atirar em Mizell, testemunhas que sabiam do envolvimento de Jordan na conspiração de narcóticos e testemunhas que ouviram Jordan admitir o assassinato”.
Além disso, os promotores também criticam a decisão que anulou a condenação. No recurso, eles afirmam que o juiz exigiu provas extremas e ignorou evidências relevantes, destacando que houve expectativa de uma “prova irrefutável”.
Segundo a acusação, o crime tem ligação com um acordo de drogas que deu errado. Testemunhas afirmam que Jordan atirou enquanto Washington bloqueava a saída do estúdio. Ainda assim, ambos negam as acusações.
Já Bryant aparece como uma figura mais distante, com pouca ou nenhuma ligação direta com o artista.
As investigações apontam que peritos encontraram o DNA de Bryant em um boné dentro do estúdio onde o crime aconteceu. A partir disso, promotores alegam que ele facilitou a entrada dos outros acusados ao abrir uma porta de emergência e permitir a emboscada.
Por outro lado, versões conflitantes surgem no processo. Um tio de Bryant afirmou que o sobrinho disse que atirou após o artista reagir, mas os próprios promotores contestam essa versão.
Além disso, exames não identificaram DNA de Jordan ou Washington no objeto, o que gerou questionamentos durante o julgamento. Por isso, advogados usam esse ponto para levantar dúvidas sobre a participação de alguns dos acusados.
Vale lembrar que Jam Master Jay, nascido Jason Mizell, teve papel central no Run-DMC e ajudou a levar o rap ao mainstream nos anos 1980. O grupo emplacou clássicos como “It’s Tricky” e também marcou época com “Walk This Way”.
