Segundo a Associated Press, no terceiro dia em que “Mia” — nome fictício para proteger sua identidade – depôs no julgamento contra Sean “Diddy” Combs, ela afirmou que continuou enviando mensagens carinhosas a ele por anos depois de sair do emprego em 2017.
Ela disse que continuou agindo assim por estar sob efeito de uma “lavagem cerebral”.
Durante o interrogatório, o advogado de defesa Brian Steel questionou a credibilidade de “Mia”. Além disso, pediu que ela lesse várias mensagens de texto afetivas enviadas a Combs.
Por exemplo, em 2019, ela mencionou um pesadelo. No sonho, estava presa em um elevador com o cantor R. Kelly, e Combs a teria resgatado. Steel perguntou se ela realmente sonhou que um homem que a teria assediado a salvava. Os procuradores contestaram, e o juiz concordou com a objeção.
Em agosto de 2020, “Mia” enviou uma mensagem em que relembrou momentos positivos dos oito anos que trabalhou para Combs. Ela mencionou que chegou a beber champanhe na Torre Eiffel às 4 da manhã e disse não a um convite do cantor Mick Jagger. Segundo ela, só se lembrava “dos bons momentos”.
No mesmo texto, ela mencionou ter se sentido “enganada” por outra mulher. Por isso, o advogado Steel perguntou por que ela não disse que Combs também a teria enganado, considerando as acusações contra ele. Ela explicou que isso não ocorreu porque estava sob influência de “lavagem cerebral”.
“Mia” explicou que o ambiente de trabalho tinha “altos muito altos e baixos muito baixos”. Ela disse que o ambiente de trabalho provocou nela uma “grande confusão para confiar em seus próprios instintos”.
Quando Steel sugeriu que suas acusações eram falsas, “Mia” afirmou que nunca mentiu no tribunal. Além disso, assegurou que suas declarações são verdadeiras. Ela também disse que sentiu obrigação moral de falar após outras denúncias contra Combs.
No depoimento, também “Mia” relatou que Combs a beijou à força e a molestou durante sua festa de 40 anos em 2009, pouco depois que começou a trabalhar para ele. Meses depois, afirmou que foi estuprada em um quarto da casa dele em Los Angeles.
Ela acrescentou que os abusos seguintes foram “aleatórios, esporádicos e espaçados”.
A promotoria criticou a defesa por usar intensamente o histórico das redes sociais de “Mia” no interrogatório. A promotora assistente Maureen Comey disse que o advogado gritou com a testemunha. Além disso, ela alertou que essa postura poderia desencorajar outras vítimas a depor.
O juiz Arun Subramanian afirmou que não ouviu gritos nem sarcasmo nas perguntas. Entretanto, o juiz advertiu a defesa para evitar insistir nas mensagens da testemunha nas redes sociais, especialmente aquelas que elogiavam Combs.
