Curtis “50 Cent” Jackson transformou seu anúncio de dezembro de 2023 em um projeto concreto, e a Netflix lançou o documentário “Sean Combs: The Reckoning” no dia 2 de dezembro.
Em entrevista à Us Weekly, Jackson falou sobre o projeto, seus objetivos e a relação com Diddy.
Desde o início, a produção deixa claro que não se trata apenas de uma provocação, já que apresenta relatos de diferentes fases da vida de Sean “Diddy” Combs.
Além disso, o material reúne depoimentos de Joi Dickerson-Neal, Rodney “Lil Rod” Jones e Aubrey O’Day, que revisitam acusações de assédio e agressão que se estenderam por décadas.
O documentário também mostra imagens que o próprio Combs gravou pouco antes de sua prisão.
Nessas gravações, ele afirma que precisava contratar alguém que “lidou com o mais sujo dos negócios sujos” e comenta que queria passar álcool em gel depois de encontrar fãs no Harlem.
Desse modo, o projeto apresenta elementos que marcaram a trajetória do artista e destaca aspectos pouco explorados em outras produções.
Jackson explica que não age por vingança. “Eu não tô fazendo isso como se fosse uma missão pessoal”, ele afirma.
Entretanto, ele diz não sentir medo de abordar o tema. “Tô contando uma história que ninguém mais tá contando porque eu não tenho o medo que [outras pessoas] sentem dele. Eu não tenho medo nenhum.”
Ao mesmo tempo, a diretora Alexandria Stapleton admite receio. “Você simplesmente nunca sabe o que pode acontecer. Eu definitivamente tenho medos”, ela diz, acrescentando que deseja incentivar debates sobre “o que nós toleramos e o que nós aceitamos”.
Enquanto isso, os advogados de Combs enviaram uma notificação à Netflix antes do lançamento. Segundo eles, o documentário usou imagens roubadas e constituía “um ataque vergonhoso”.
Além disso, um porta-voz afirmou que é “preocupante” ver Jackson envolvido na obra e chamou ele de “adversário público de longa data”.
A Netflix, porém, respondeu rapidamente que obteve legalmente as imagens e acrescentou: “Isso não é um ataque nem um ato de retaliação. Curtis Jackson é produtor executivo, mas não tem controle criativo. Ninguém foi pago para participar.”
Durante as entrevistas, Jackson percebeu que muitos participantes carregavam histórias antigas que nunca tinham exposto. “Alguns não estavam com raiva, só precisavam ser ouvidos.”
Depois disso, ele preferiu não detalhar como conseguiu as gravações prévias à prisão. “Um jornalista perguntaria isso, mas um jornalista também diria: ‘Vou manter minhas fontes protegidas.'”
Apesar das acusações graves, Jackson acredita que Combs pode reconhecer a relevância do projeto.
“Mostra toda a história dele”, ele afirma à Us Weekly. “Ele pode não gostar de cada coisa que é dita, mas eu acho que ele vai respeitar a amplitude disso.”
Ainda assim, Jackson diz que nunca teve medo do produtor. “Eu já passei por coisas mais extremas do que essas pessoas. Ele nunca fez nada comigo.”
Por outro lado, Jackson acredita que Combs irritou pessoas influentes ao longo dos anos, o que, segundo ele, ajudou a intensificar investigações. “Eu acho que isso faz parte do motivo pelo qual isso se torna uma investigação federal completa.”
Além disso, ele conta que a relação entre os dois mudou quando Combs disse: “Ah, deixe eu te levar pra fazer compras.” Jackson respondeu: “Não, tô de boa.”
Mesmo assim, Jackson lembra que trabalhou com os filhos de Combs e reafirma que não existe rivalidade direta.
Ele também afirma que escreveu hits para o artista, mas que ele “não conseguia mais reconhecer um hit”, descrevendo-o como alguém que “fica perto do fogo pra se aquecer”.
Sobre o comportamento de Combs, Jackson diz que ele tem “complexo de rei” e ainda processa o próprio momento. “Eu não acho que ele tenha revelado tudo.”
Assim, Jackson acredita que, no futuro, Combs “vai voltar para casa e se tornar mais espiritual”, embora ele não veja Combs voltando ao ramo. “Não no entretenimento.”
No fim, Jackson comenta sua postura nas redes sociais e reforça a estratégia de provocar reações.
“Eu faço as coisas de forma diferente nas redes sociais do que faço na vida real.” Segundo ele, o impacto emocional é intencional. “Se eles me amam ou me odeiam, tudo bem – contanto que sintam algo sobre mim.”
