A história da treta entre 50 Cent vs The Game é uma das mais marcantes do rap moderno. No início, os dois eram aliados próximos, mas, com o tempo, o que parecia uma parceria sólida dentro da G-Unit se transformou em uma das rivalidades mais longas e intensas do hip-hop americano. Portanto, entender essa disputa é essencial para quem acompanha a cena rap e quer saber como a lealdade e a disputa pelo respeito podem virar guerra dentro da música.
Início da amizade e parceria na G-Unit
Antes do lançamento do álbum de estreia de The Game, “The Documentary”, em 2005, ele mantinha uma relação próxima com 50 Cent. Além disso, 50 foi fundamental para que The Game conseguisse espaço na indústria, apresentando-o como uma nova promessa do rap da Costa Oeste. A gravadora G-Unit Records passou a contar oficialmente com The Game, fortalecendo o coletivo. Contudo, apesar da proximidade, logo surgiriam desentendimentos que colocariam tudo a perder.
O começo da ruptura: desentendimentos e acusações
Após o lançamento do álbum “The Documentary”, 50 Cent começou a considerar que The Game não estava sendo leal com ele. Isso porque, enquanto G-Unit mantinha rivalidades públicas com artistas como Nas, Jadakiss e Fat Joe, The Game mostrou interesse em trabalhar justamente com esses nomes. Essa atitude foi interpretada por 50 como uma falta de lealdade. Ele também declarou que contribuiu escrevendo seis faixas para o álbum de The Game, mas que não recebeu o reconhecimento adequado por isso.
Pouco tempo depois, 50 Cent revelou ao vivo na rádio Hot 97 que The Game não fazia mais parte da G-Unit. Naquela mesma noite, houve um confronto violento: The Game tentou entrar na rádio acompanhado de sua equipe, mas foi barrado. Durante o confronto com um grupo ligado à G-Unit, um dos parceiros de The Game acabou sendo baleado na perna. Portanto, o clima entre os dois se tornou tenso e cheio de desconfiança, aumentando ainda mais a rivalidade.
Primeiras trocas de farpas e tentativa de reconciliação
Apesar do conflito, os rappers chegaram a fazer uma coletiva de imprensa conjunta para anunciar uma suposta reconciliação. No entanto, essa aparente trégua durou pouco. Logo depois, membros da G-Unit criticaram a credibilidade de The Game no meio do rap e deixaram claro que eles não participariam de seus futuros álbuns. Durante um show no Summer Jam, The Game chegou a anunciar um boicote a G-Unit, chamando o grupo de “G-Unot”.
A partir desse momento, começaram as trocas de músicas com ataques diretos. The Game soltou “300 Bars and Runnin'”, uma diss extensa onde atacava fortemente tanto a G-Unit quanto a Roc-A-Fella Records. Em resposta, 50 Cent lançou o clipe de “Piggy Bank“, no qual zombava de The Game usando uma imagem dele como o personagem Sr. Cabeça de Batata. Em seguida, The Game lançou duas mixtapes, “Ghost Unit” e “Stop Snitchin, Stop Lyin”, continuando os ataques.
Escalada dos ataques: mixtapes e respostas
Enquanto isso, 50 Cent não deixou barato. Ele colocou a cabeça de The Game no corpo de um stripper para a capa da mixtape “Hate It or Love It (G-Unit Radio Part 21)”, em resposta às fotos dos membros da G-Unit fantasiados de Village People feitas por The Game. Membros da G-Unit, como Spider Loc, também participaram dos ataques, com músicas que insultavam The Game.

Em resposta, The Game lançou faixas como “240 Bars (Spider Joke)” e “100 Bars (The Funeral)”, atacando a G-Unit e Spider Loc. Logo depois, 50 Cent respondeu com “Not Rich, Still Lyin'”, zombando do rival. Lloyd Banks também participou da disputa, respondendo a The Game com um freestyle e lançando a faixa “Showtime (The Game’s Over)”, na qual acusava 50 Cent de ter escrito metade das músicas de “The Documentary” e criticava o estado emocional de The Game.
Momentos de paz e novas tensões
The Game chegou a sinalizar um acordo de paz com 50 Cent no final de 2006. Porém, apenas dois dias depois, ele mesmo declarou que aquela tentativa de reconciliação já não tinha mais validade. Várias faixas do álbum “Doctor’s Advocate”, lançado posteriormente, sugeriram que a briga tinha acabado. Em 2009, The Game afirmou que a rivalidade havia chegado ao fim, creditando isso à ajuda de Michael Jackson e Diddy, além de fazer um pedido público de desculpas.
Apesar disso, 50 Cent e os outros integrantes da G-Unit não aceitaram essas tentativas de reconciliação. De fato, Tony Yayo, amigo próximo de 50, afirmou que o pedido de desculpas não foi aceito. The Game manteve firme sua campanha chamada “G-Unot” durante suas apresentações, incentivando o público a rejeitar a G-Unit. Na mesma época, 50 Cent soltou a faixa “So Disrespectful”, onde disparava críticas não apenas contra The Game, mas também contra Jay-Z e Young Buck. Como resposta, The Game soltou a música “Shake”, ironizando o clipe de “Candy Shop”, famoso hit de 50 Cent.
Dois rivais, várias músicas e a rivalidade continua
No começo de 2015, The Game declarou que ele e 50 Cent eram “inimigos jurados” e que nunca mais haveria reconciliação. Porém, em agosto de 2016, tudo mudou. Os dois se encontraram em um clube de strip e, em um momento que surpreendeu os fãs, The Game afirmou: “Eu amo o 50, mano. O que aconteceu foi há 12 anos”. O encontro marcou o fim oficial da briga de mais de uma década.
Novos capítulos da treta em 2022
Apesar da reconciliação aparente, em janeiro de 2022, a rivalidade ressurgiu. Tudo começou quando 50 Cent criticou uma entrevista de The Game no “Drink Champs”, onde o rapper disse que Kanye West “fez mais por ele em duas semanas do que Dr. Dre fez durante toda sua carreira”.
Em resposta, The Game afirmou que colocou todo o grupo G-Unit e a marca de roupas do grupo “num caixão”. Também alertou 50 Cent para deixar o passado para trás, senão “ele estaria do lado de fora”.
Alguns meses depois, em março, 50 Cent publicou um vídeo no Instagram mostrando The Game sendo ignorado pelo ex-CEO da Interscope Records, Jimmy Iovine, em um jogo de basquete. O vídeo tinha a legenda “50 escreveu seus hits”, provocando o rival. The Game rebateu dizendo que havia tirado a namorada de 50 de suas mensagens privadas, reacendendo a disputa.
Além disso, o conflito ganhou mais força com os comentários do empresário de The Game, Wack 100, que colocou em dúvida a credibilidade de 50 Cent. Ele criticou a aparição inesperada de 50 Cent no intervalo do Super Bowl LVI e levantou controvérsias sobre acusações de ghostwriting envolvendo o rapper.
Conclusão
Em resumo, a treta entre 50 Cent e The Game é um dos conflitos mais duradouros e midiáticos da história do rap. De uma amizade que parecia inabalável, passou por inúmeras provocações públicas, brigas violentas, trocas intensas de diss, até uma eventual reconciliação. No entanto, mesmo depois do suposto fim, episódios recentes mostram que a tensão entre os dois ainda pode ressurgir. Assim, essa história é um exemplo claro da complexidade das relações no mundo do hip-hop e como as rivalidades podem impactar carreiras e legados.
