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Drake vs Kendrick Lamar: a treta que agitou o rap

2011–2012: Colaboração e respeito mútuo

Inicialmente, Drake e Kendrick Lamar mantinham uma relação cordial. Em 2011, Lamar participou de “Buried Alive Interlude”, faixa do álbum “Take Care”. A música aparece logo após o single “Marvins Room”. Naquele momento, Drake já dominava o mainstream com sucessos como “Best I Ever Had”. Enquanto isso, Lamar ainda construía seu nome na cena.

Pouco depois da colaboração, Lamar descreveu o encontro: “Nós nos encontramos, relaxamos, nos conectamos e vimos como cada um tava. Às vezes você gosta da música de uma pessoa, mas definitivamente não gosta do artista de verdade quando se senta e conversa com ele. Ele é um cara bom de verdade. Tem uma alma genuína. Nós nos conectamos imediatamente.” Além disso, Drake foi um dos primeiros artistas de destaque a ouvir “Section.80”, álbum independente de Lamar lançado em 2011.

Turnês e primeiras colaborações

Em 2012, Lamar abriu a turnê “Club Paradise Tour”, liderada por Drake. Além disso, ele assinou contrato com a Interscope Records. Posteriormente, lançou “good kid, m.A.A.d city”, que incluiu a colaboração “Poetic Justice” com Drake.

Além disso, ainda naquele ano, ambos apareceram em “Fuckin’ Problems”, de A$AP Rocky. Assim, até 2012, a relação pública era profissional e respeitosa. Eles participavam de eventos e performances conjuntas, reforçando a imagem de uma amizade no mundo do rap.

2013–2014: O impacto de “Control”

Verso polêmico de Kendrick em “Control”

Em agosto de 2013, a situação começou a mudar. Na música “Control”, de Big Sean, Kendrick Lamar declarou: “Tenho amor por todos vocês, mas eu tô tentando assassinar vocês”. Ele citou Drake nominalmente, junto com outros rappers. Embora tenha afirmado que se tratava de competição saudável, a internet interpretou como provocação direta.

Em resposta, Drake comentou: “Isso só me pareceu um pensamento ambicioso. Só isso. Eu sei muito bem que [o Lamar] não tá me ‘assassinando’, de jeito nenhum, em nenhuma plataforma.” Assim, ele minimizou o impacto público da faixa.

Respostas indiretas de Drake

Mesmo assim, fãs analisaram “The Language”, do álbum “Nothing Was the Same”, como possível indireta: “Eu não sei por que eles têm mentido, mas a sua parada não é tão inspiradora assim”. Embora ele não tenha citado nomes, o timing alimentou especulações. Além disso, o lançamento reforçou a ideia de competição no público.

Versos subsequentes de Lamar

Pouco depois, Lamar apareceu no cypher do BET Hip Hop Awards e disparou: “Nada foi o mesmo desde que lançaram ‘Control’ e colocaram um rapper sensível de volta no seu pijama”. Consequentemente, o público voltou a associar a fala a Drake. No entanto, ambos negaram conflito direto. Lamar declarou: “Não tenho treta com o Drake”. Ele ainda disse: “Eu não consigo me ver trocando linha por linha com o Drake. Nós somos dois tipos diferentes de artistas.” Assim, oficialmente, não havia rivalidade declarada.

2015–2022: Indiretas constantes

Mixtapes e indiretas de Drake

A partir de 2015, as trocas tornaram-se mais sutis. Drake lançou a mixtape “If You’re Reading This It’s Too Late”. Faixas como “6PM in New York” foram interpretadas como ataques indiretos, embora ele nunca tenha confirmado o alvo. Além disso, a imprensa destacou linhas sutis que sugeriam competição com Kendrick.

Kendrick responde em “To Pimp a Butterfly”

Por outro lado, Kendrick lançou “To Pimp a Butterfly”. Na música “King Kunta”, ele rimou: “Um rapper com ghostwriter? Que p*rra aconteceu? / Eu jurei que não ia contar / Mas a maioria de vocês tá compartilhando versos como se tivesse no beliche de baixo de uma cela pra duas pessoas”. Como Drake enfrentava acusações de ghostwriting, muitos ligaram as linhas a ele.

Interações públicas e entrevistas

Além disso, Drake respondeu em “Summer Sixteen”: “Fala pro Obama que meus versos são como os carros que ele anda / À prova de balas”. A linha surgiu após Barack Obama declarar preferência por Kendrick. Assim, o clima competitivo voltou à tona. Posteriormente, Kendrick lançou “The Heart Part 4” em 2017. A faixa trouxe versos enigmáticos e ameaçadores. Embora não citasse Drake diretamente, fãs apontaram paralelos.

Em 2022, Kendrick mencionou Drake em “Father Time”: “Quando o Kanye voltou com o Drake, eu fiquei um pouco confuso / Acho que não sou tão maduro quanto penso, tenho uma cura pra fazer”. Dessa forma, a tensão continuava, ainda que indireta.

2023–2024: A treta explode

Primeiros ataques diretos

Em outubro de 2023, J. Cole participou de “First Person Shooter”, de Drake. Na música, ele sugeriu que formavam o “Big 3” do rap moderno. Contudo, em março de 2024, Kendrick respondeu em “Like That”: “Big 3 é o c@ralho, mano, é só o grande eu”. Com isso, a disputa tornou-se explícita.

Respostas de Drake

Em seguida, Drake lançou “Push Ups”. Ele atacou Kendrick e ironizou sua estatura: “Como você tá se achando com um sapato masculino tamanho 38?” Além disso, questionou sua relevância comercial. Logo depois, Drake publicou “Taylor Made Freestyle”. A faixa utilizava vozes geradas por IA de Tupac Shakur e Snoop Dogg. Na música, a voz simulada de Tupac dizia: “Kendrick, precisamos de você”. Entretanto, a família de Tupac criticou o uso da imagem. Consequentemente, Drake removeu a faixa.

Reação de Kendrick

Kendrick reagiu em 30 de abril com “Euphoria”. Na música, declarou: “Eu tenho um filho pra criar, mas vejo que você não sabe nada sobre isso”. Ele também atacou a imagem pública de Drake e sua identidade cultural. Poucos dias depois, lançou “6:16 in LA”. Nela, insinuou vazamentos internos: “Você já imaginou que a OVO tava trabalhando pra mim?” Assim, levantou suspeitas sobre a própria equipe de Drake.

Escalada da treta

Em resposta, Drake divulgou “Family Matters”. Ele acusou Kendrick de violência doméstica e afirmou: “Ouvi dizer que uma das crianças pode ser do Dave Free”. A linha sugeria infidelidade envolvendo o parceiro criativo de Lamar.

A reação veio rapidamente. Cerca de vinte minutos depois, Kendrick lançou “Meet the Grahams”, estruturando a faixa como uma série de cartas dirigidas à família de Drake e ao próprio rapper. No início da música, Lamar abre com uma linha impactante para o filho de Drake, Adonis, dizendo: “Querido Adonis, vou ser sincero, lamento que aquele cara seja seu pai / É preciso ser homem pra ser homem, seu pai não é presente / Olho pra ele e queria que seu avô tivesse usado camisinha”, criticando a presença paterna de Drake.

No dia seguinte, Kendrick lançou “Not Like Us”. A faixa reforçou as acusações: “Fala aí, Drake, ouvi dizer que tu curte novinhas / É melhor você nunca ir pra a ala um da prisão”. A música rapidamente tornou-se um fenômeno cultural. Drake respondeu com “The Heart Part 6”. Ele negou as alegações e declarou: “Só tô comendo Whitneys, não Millie Bobby Browns, eu nunca olharia duas vezes pra nenhuma adolescente.”

2024–2025: Consequências públicas e legais

Em junho de 2024, Kendrick organizou o show “The Pop Out: Ken & Friends” em Inglewood. Durante o evento, apresentou “Euphoria” e “Not Like Us”. Além disso, repetiu “Not Like Us” diversas vezes, com o público cantando em coro. Posteriormente, lançou o clipe oficial de “Not Like Us” em 4 de julho. O vídeo incluiu participações de DeMar DeRozan e Tommy the Clown. Assim, reforçou a identidade cultural de Los Angeles.

Enquanto isso, Drake iniciou ações legais contra a Universal Music Group. Ele alegou difamação e promoção prejudicial da faixa rival. No entanto, os processos enfrentaram resistência jurídica e foram eventualmente encerrados.

Em fevereiro de 2025, Kendrick venceu cinco categorias no Grammy com “Not Like Us”. Entre elas estavam “Gravação do Ano” e “Música do Ano”. Portanto, a música consolidou seu impacto histórico. Além disso, Kendrick se apresentou no Super Bowl LIX. Durante o show, performou “Euphoria” e “Not Like Us”. Em determinado momento, declarou: “Eu quero performar a música preferida deles, mas você sabe que eles adoram processar.” A frase foi interpretada como referência às ações judiciais.

Pouco depois, Drake lançou o projeto colaborativo “$ome $exy $ongs 4 U” com PartyNextDoor. Na faixa “Gimme a Hug”, afirmou: “Meninas que estão rebolando com um dicionário.” Muitos entenderam como crítica ao estilo lírico de Kendrick.

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